O primeiro dia do III Simpósio Nacional de Quadrilhas Juninas, realizado em Brasília, foi marcado não apenas por debates sobre economia criativa, financiamento e profissionalização, mas principalmente pela construção de propostas concretas para o fortalecimento nacional do movimento junino.

Ao longo das discussões, representantes de diferentes estados apresentaram demandas relacionadas à formação, políticas públicas, acesso a recursos, participação institucional e renovação das quadrilhas. Parte dessas propostas foi colocada em deliberação e aprovada pelos delegados presentes, formando uma agenda objetiva de encaminhamentos para o setor.
Entre as principais decisões está a defesa da criação de uma categoria específica para quadrilhas juninas nos editais federais de cultura. A proposta busca ampliar o reconhecimento institucional do segmento e facilitar o acesso dos grupos às políticas públicas de financiamento cultural.
Outra deliberação de destaque foi a aprovação da criação da Escola Nacional do Movimento Junino em formato EAD. A iniciativa, apresentada por Maurício Maranhão, deverá ter como foco a formação técnica de quadrilheiros e gestores em áreas como elaboração de projetos, gestão, captação de recursos e busca por investimentos. O debate também apontou a possibilidade de articulação com universidades, projetos de extensão, Sebrae e outras instituições.
Também foi aprovada a realização de uma audiência pública nacional para apresentação das demandas e propostas do movimento junino, além da defesa de que o próximo Simpósio tenha maior presença de autoridades e representantes de órgãos como Ministério da Cultura, Funarte e Iphan. A proposta surgiu durante a intervenção de Cris, representante de Roraima.
Outra proposta aprovada foi o reconhecimento e a inclusão das quadrilhas juninas como Escolas Livres da Cultura. A sugestão, apresentada por Audair, da quadrilha Pisa na Fulô, do Ceará, parte do entendimento de que as quadrilhas exercem durante todo o ano atividades de formação, transmissão de saberes, produção artística e desenvolvimento comunitário, indo muito além das apresentações realizadas no período junino.
A preservação das novas gerações também ganhou destaque. Após o alerta de Alane, de Pernambuco, sobre o desaparecimento de quadrilhas infantis em razão da falta de recursos e editais específicos, foi aprovada a proposta de ampliar editais destinados às quadrilhas infantis e aproximar esses grupos das escolas, fortalecendo a relação entre cultura, educação e renovação do movimento.
Mobilização política e novas propostas para encaminhamento
Além das propostas formalmente aprovadas, o encontro reuniu outras sugestões consideradas estratégicas e que deverão seguir para articulação após o Simpósio.
Duane Gonçalves propôs uma mobilização nacional para que quadrilhas, federações, ligas e representantes do setor levem as deliberações do encontro aos seus parlamentares estaduais, fortalecendo a construção de uma pauta conjunta até o Congresso Nacional. Durante sua intervenção, citou a senadora paraibana Daniella Ribeiro como possível interlocutora da causa.

Também foi apresentada a proposta de criação de um Observatório Nacional do Movimento Junino, destinado a reunir dados sobre grupos, profissionais, impacto econômico, circulação, financiamento e presença territorial das quadrilhas brasileiras.
Outra recomendação foi a formação de uma rede nacional de boas práticas, permitindo mapear e replicar iniciativas consideradas exitosas, como a experiência da Fábrica Junina, desenvolvida pela Moleka 100 Vergonha.
Entre os demais encaminhamentos apresentados estão a criação de cursos para contadores e agentes de projetos culturais, maior articulação com universidades e Sebrae, aperfeiçoamento dos mecanismos de captação e distribuição de recursos e fortalecimento da produção de indicadores nacionais sobre o movimento junino.
Deliberações formam agenda nacional
Ao final das discussões do primeiro dia, ficaram registradas como propostas aprovadas:
- criação de categoria específica para quadrilhas juninas nos editais federais de cultura;
- criação da Escola Nacional do Movimento Junino EAD;
- realização de audiência pública para apresentação das propostas do setor;
- defesa de maior presença de autoridades no próximo Simpósio;
- inclusão e reconhecimento das quadrilhas como Escolas Livres da Cultura;
- ampliação de editais destinados às quadrilhas infantis;
- atuação das quadrilhas infantis dentro das escolas.
Já como propostas apresentadas para encaminhamento ficaram a criação do Observatório Nacional do Movimento Junino, a replicação de boas práticas, a formação técnica em projetos e contabilidade, a articulação com universidades e Sebrae, a mobilização junto a parlamentares estaduais e ao Congresso Nacional e o fortalecimento dos indicadores nacionais do setor.
O primeiro dia do III Simpósio Nacional de Quadrilhas Juninas, portanto, avançou da discussão para a construção de uma agenda política e institucional concreta, com propostas que deverão ser sistematizadas e encaminhadas à Confebraq, Ministério da Cultura, Funarte, Iphan e demais instituições competentes.
Mais do que diagnosticar problemas, o encontro passou a organizar caminhos para que o movimento junino brasileiro conquiste maior reconhecimento institucional, formação, financiamento, representação política e capacidade de atuação durante todo o ano.

