As quadrilhas juninas brasileiras estarão no centro de um importante debate nacional a partir desta quinta-feira (20), em Brasília. A capital federal recebe o III Simpósio Nacional de Quadrilhas Juninas, encontro que segue até sábado (22), no Eixo Cultural Ibero-Americano.

Com o tema “Tradição que se reinventa: cultura, inovação e futuro do movimento junino”, o Simpósio é realizado pela Confederação Brasileira de Entidades de Quadrilhas Juninas (CONFEBRAQ) e tem como entidade anfitriã a Liga Independente de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno (LINQDFE).
O encontro reúne representantes de federações estaduais, gestores públicos, pesquisadores, produtores culturais, coreógrafos, brincantes, artistas e diferentes agentes ligados às quadrilhas juninas e à cultura popular brasileira.
Mais do que uma programação de palestras, a proposta é transformar Brasília em um espaço nacional de formação, debate e construção coletiva de estratégias para o fortalecimento do movimento junino.
Quadrilhas juninas debatem financiamento, inovação e políticas públicas
Durante os três dias de programação, o III Simpósio Nacional colocará em discussão temas diretamente ligados à realidade das quadrilhas juninas em diferentes regiões do Brasil.
Entre os principais eixos estão economia criativa e sustentabilidade financeira, estética, inovação e espetacularização dos festivais, identidade e memória, concursos e circuitos competitivos, formação e inclusão, desenvolvimento humano, tecnologia, comunicação e presença digital.
Um dos debates da programação tratará o movimento junino como economia criativa, discutindo gestão, empreendedorismo e geração de renda.
A proposta é reconhecer o movimento como uma cadeia produtiva capaz de gerar trabalho, renda, oportunidades profissionais e desenvolvimento econômico para grupos, profissionais e territórios.
As quadrilhas juninas movimentam uma ampla rede de atividades que envolve, além da dança, áreas como música, figurino, costura, cenografia, iluminação, coreografia, produção cultural, comunicação e audiovisual.
Do terreiro aos grandes espetáculos
A transformação artística das quadrilhas juninas também estará no centro das discussões.
Cenografia, tecnologia, iluminação, efeitos visuais, figurinos, coreografias e dramaturgia serão analisados dentro do debate sobre a crescente espetacularização dos festivais juninos.
Uma das palestras será conduzida pelo paraibano Hipólito Lucena, com o tema “Do terreiro ao grande espetáculo: cenografia, tecnologia e espetacularização”.
A programação também discutirá como as novas linguagens podem potencializar a experiência dos espetáculos sem romper com a identidade cultural e com os elementos tradicionais da manifestação.
Outro debate abordará coreografia e figurino como elementos fundamentais para a construção da identidade artística e narrativa dos grupos.
Concursos de quadrilhas terão debate nacional
Outro tema de destaque será a organização dos concursos e circuitos de quadrilhas juninas.
O Simpósio discutirá critérios de avaliação, construção de quesitos, fundamentação das notas, ética, formação e atuação de avaliadores, imparcialidade, regulamentos, recursos e transparência nos processos competitivos.
O objetivo é contribuir para a qualificação e o fortalecimento dos concursos realizados em diferentes estados do país.
A programação contará ainda com um Encontro Nacional de Avaliadores, espaço específico destinado ao debate sobre os processos de julgamento dos espetáculos juninos.
Inclusão e desenvolvimento humano
As dimensões social e humana das quadrilhas juninas também terão espaço na programação.
O eixo de Formação, Inclusão e Desenvolvimento Humano nas Quadrilhas abordará protagonismo juvenil, liderança, inclusão de pessoas com deficiência, equidade de gênero, saúde física e mental, performance e prevenção de lesões.
A discussão reforça o papel das quadrilhas como espaços de formação, convivência, produção cultural e desenvolvimento humano.
Tecnologia e presença digital
As transformações provocadas pelas plataformas digitais também entram na pauta do encontro nacional.
Estratégias em redes sociais, transmissões ao vivo, métricas digitais, produção audiovisual acessível, direitos autorais, direito de imagem, ética, segurança e responsabilidade digital fazem parte dos assuntos previstos.
O tema demonstra como a comunicação e a tecnologia passaram a ocupar posição estratégica dentro do movimento junino, ampliando o alcance de grupos, festivais e espetáculos para públicos de diferentes regiões do país.
Carta de Brasília 2026 será construída coletivamente
Um dos principais resultados esperados do III Simpósio Nacional de Quadrilhas Juninas será a elaboração da Carta de Brasília 2026.
A dinâmica do evento foi organizada para que as palestras tenham momentos de exposição, debate e construção de propostas.
As contribuições desenvolvidas durante os três dias serão encaminhadas à Plenária Final, marcada para sábado (22).
Na ocasião, serão apresentados os relatórios dos grupos de trabalho, realizada a leitura e aprovação da Carta de Brasília 2026 e definidos os encaminhamentos institucionais resultantes do encontro.
O documento deverá consolidar propostas construídas coletivamente para contribuir com o fortalecimento institucional do movimento junino brasileiro.
Movimento junino busca fortalecer presença nas políticas culturais
A realização do Simpósio em Brasília também carrega um importante caráter institucional.
O encontro pretende fortalecer os laços entre representantes de diferentes regiões do país, promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências e ampliar o diálogo em torno do reconhecimento das quadrilhas juninas como uma das grandes expressões da cultura popular brasileira.
Ao reunir artistas, pesquisadores, dirigentes, gestores e representantes institucionais na capital federal, o III Simpósio Nacional demonstra que o movimento junino avança para além das apresentações e competições.
As quadrilhas juninas brasileiras passam a discutir, de forma cada vez mais organizada, temas como sustentabilidade, profissionalização, memória, inovação, inclusão, governança e políticas públicas, projetando coletivamente os caminhos para o futuro do movimento junino no Brasil.

