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Moleka 100 Vergonha volta às Malvinas após 14 anos e encerra Circuito Alavantú em noite de emoção

Depois de 14 anos sem se apresentar em seu próprio bairro, a Moleka 100 Vergonha voltou para casa. Na noite deste domingo (23), a quadrilha encerrou o Circuito Alavantú nos Bairros com uma apresentação marcada pela emoção, homenagens e pelo reencontro com o público das Malvinas, em Campina Grande.

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Foto de Delaneo Marques – apresentação da Moleka 100 Vergonha

Realizado pela própria Moleka 100 Vergonha, o evento reuniu quadrilhas juninas, artistas e atrações musicais em uma programação gratuita que transformou o bairro em um grande arraial. Mais do que o encerramento do circuito, a noite representou o retorno da Moleka ao território onde sua história começou.

Terra dos Fortes abriu a programação

A abertura ficou por conta da Quadrilha Junina Terra dos Fortes, de Taperoá, que levou seu espetáculo ao público das Malvinas e deu início à sequência de apresentações da noite.

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Foto de Delaneo Marques – Junina Terra dos Fortes

Em seguida, a Expressão Junina, de Campina Grande, realizou sua última apresentação da temporada 2026, encerrando mais um ciclo de trabalho no movimento junino.

A programação também contou com a participação da atriz trans Morgana Sky, que protagonizou uma apresentação especial em homenagem à cantora Clara Nunes, celebrando também a diversidade e a cultura LGBT dentro das manifestações culturais e populares.

Na sequência, a Junina Atrevida, do bairro da Palmeira, realizou sua despedida da temporada. Durante a apresentação, o grupo já anunciou o início dos trabalhos para seu terceiro ano de atividades, em 2027.

“Começamos aqui nessa rua”

O momento mais esperado da noite foi o retorno da Moleka 100 Vergonha às Malvinas, bairro onde nasceu e construiu parte importante de sua trajetória.

Antes da apresentação, o presidente da quadrilha, Mahatma Ghandi, falou ao público e prestou homenagem aos fundadores e personagens que participaram da construção da história da Moleka, entre eles Rodrigo Silva e Erik Cristóvão, presentes no evento.

Ao recordar o início do grupo e comparar aquele período com a estrutura montada atualmente para receber o Circuito Alavantú, Mahatma destacou o crescimento da quadrilha sem esquecer suas origens.

“Começamos aqui nessa rua, cavando buraco para botar palha de coco e enfeitar a rua. Hoje estamos chiques, com essa grande estrutura. Isso orgulha o bairro das Malvinas, por ter uma das maiores e mais respeitadas quadrilhas juninas do país.”

A fala foi acompanhada por agradecimentos aos integrantes, fundadores, diretores, comunidade e a todos que contribuíram para a trajetória da Moleka.

“É devolver a festa ao povo”

O diretor de Produções e Eventos, Duane Gonçalves, também agradeceu ao público e à equipe envolvida na realização do circuito. Em sua fala, destacou que levar os espetáculos de volta às comunidades é também uma forma de recuperar uma característica fundamental da história junina de Campina Grande.

“Isso é o resgate da origem do Maior São João do Mundo: levar o São João de volta para os bairros e devolver a festa ao povo”, afirmou Duane Gonçalves.

O Circuito Alavantú nos Bairros tem justamente como uma de suas propostas promover o encontro das quadrilhas com as comunidades, ocupando as ruas e aproximando novamente os espetáculos juninos dos territórios onde muitos grupos nasceram e construíram suas histórias.

Retorno após 14 anos emociona público

Quando a Moleka 100 Vergonha finalmente entrou em cena, a apresentação ganhou um significado especial.

A última vez que a quadrilha havia apresentado oficialmente seu espetáculo no bairro das Malvinas havia sido em 2012. Quatorze anos depois, integrantes, antigos componentes, moradores e admiradores acompanharam um reencontro marcado por lágrimas, sorrisos e aplausos.

A Moleka apresentou seu espetáculo de 2026 diante de sua própria comunidade e foi aplaudida de pé pelo público ao final da apresentação.

A emoção tomou conta tanto dos integrantes quanto de quem acompanhava o espetáculo. Para muitos moradores, a apresentação representou mais do que uma atração cultural: simbolizou o retorno de um patrimônio construído dentro das Malvinas para perto das pessoas que acompanharam seus primeiros passos.

Homenagens a Douglas Doutx e Patrício Silva

O encerramento da apresentação também reservou um dos momentos mais emocionantes da noite.

O Regional 100sacional, banda da Moleka 100 Vergonha, realizou uma homenagem especial a Douglas Doutx, ex-cantor que integrou a história musical da quadrilha durante 24 anos e faleceu em maio deste ano, e a Patrício Silva, ex-brincante que participou do espetáculo da temporada 2026 e faleceu na semana passada.

A homenagem emocionou integrantes e público, transformando os minutos finais da passagem da Moleka pelas Malvinas em um momento de memória, reconhecimento e gratidão por aqueles que ajudaram a construir a história do grupo.

Forró encerrou a noite

Após as apresentações das quadrilhas e as homenagens, a programação continuou com muito forró ao som da Banda Tempero Completo, encerrando a noite festiva nas Malvinas.

O encerramento do Circuito Alavantú consolidou uma noite de celebração da cultura popular, mas, para a Moleka 100 Vergonha, teve um significado ainda maior.

Depois de 14 anos, a Moleka voltou para casa. Voltou para a rua, para as Malvinas e para o povo que viu sua história começar.

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